domingo, 14 de novembro de 2010

MEU GATINHO

Ai coitadinho
Do meu gatinho!
Ele não tem nenhuma paixão!...
Ainda não encontrou
Quem lhe conquistasse o coração...
Está preso
E quer liberdade,
Mas o preço
É a eternidade,
Do qual tem pavor.










COPIÃO

És um copião,
Um grande copiador!
Deves ser um campeão
Por seres assim!...

Andas sempre no corredor
Que não tem fim.

Vigias as letras
Sempre com olhar fiel.

Algumas saem do papel,
Copias para o chão.

Se as palavras
Dizem tretas
Dás a volta ao texto
E... ele vai para o tecto.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MUITAS VEZES

Certas vezes penso
Que sou a única
E a última justa
Neste mundo imenso.

Às vezes me arrependo
De não fazer
Nada de estupendo
Para arranjar
O mal que se vê.

Muitas vezes não sou
Aquilo que pensei ser
E não faço tudo o que queria.

Os caminhos que vou
Fazem-me acreditar
Que sou aquilo que sou
Por saber perdoar
E por ser alguém normal
Neste mundo de anormais,
Por conhecer e diferenciar
O Bem do Mal,
Por pensar diferente dos demais.

Mesmo que em certas
Circunstâncias
Meu pensamento
Não esteja 100%
Correcto
Hei-de chegar à meta
Obrigatória
Desta vida transitória.

FRIEZA

Quero que percebas
Que comigo
Não consegues
Nada.
Eu não sou aquela
Que sofre calada,
O que tenho a dizer digo
E sou capaz
De te ajudar, mendigo,
A teres a vida que quiseres.

Tu és pobre,
Não de dinheiro,
Mas de ideias
Para me conquistares,
Por isso não chegarás
Cá porque eu sou a rainha
Que está no pedestal
E tu um velho chanfrado
A arranjar
O meu quintal.

Pensas que conquistar
Alguém é como plantar batatas
Ou apanhar borboletas?

Porém, tu um dia vais
Compreender...
Só espero não ser
Tarde demais,
Para que te possa aceitar
Outra vez como parte
Da minha vida.

ONDAS CONFIDENTES

Conto as minhas mágoas
Às limpas águas
Deste mar,
Porque sei
Que a ninguém
As vão contar.

Levam as minhas mágoas
Estas límpidas águas
Do mar matreiro
Que bloqueia
A vida a quem é demasiado
Aventureiro.

Não culpem o mar
Por alguém os roubar,
Ele só é traiçoeiro
Para quem se arma
Em arqueiro.

Quem brinca
Com o fogo
Queima-se.
Quem brinca
Com as ondas
Afoga-se.

22 de Setembro de 2003

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

CRÓNICA - O ESPÍRITO SANTO

Quando terminou o I Domingo de Páscoa começou logo a azáfama para quem tinha o Espírito Santo em sua casa. Ele é o símbolo da paz, representado por uma pomba branca, pela água benta, pelas nuvens, pelo vento, pelo óleo e pelo fogo.
Durante oito domingos vários imperadores levam-No (várias coroas do Divino Espírito Santo enfeitadas de flores brancas plásticas) em romagem a pé até à igreja (função) (onde são bentas e postas nas cabeças dos escolhidos) e torna-se uma coroação que se segue para entregá-Lo, em romaria, a casa de outra pessoa que tenha promessa para pagar.
Depois da chegada ao local de almoço há o oferecimento de esmolas de sopa com carne e cozido à portuguesa com pão de milho e massa-sovada (pão doce) juntamente com uma garrafa de sumo a quem queira ou precise e dá-se almoço aos convidados, em local apropriado para o evento, como as Casas do Povo ou Salões Recreativos, antigamente algumas pessoas faziam sombreiros, ou seja, barracões para colocar mesas e servir o almoço em suas casas.
Foi a Rainha Santa Isabel, na Vila de Alenquer, em Portugal Continental, que iniciou esse culto para ajudar os mais necessitados com comida. Porém, tal tradição veio para o arquipélago açoreano com os povoadores no século XVI. Começaram as Coroações devido à ocorrência de catástrofes vulcânicas.
Ao chegar o Domingo de Pentecostes dá-se o primeiro Bodo onde é distribuído pão e vinho (e, por vezes, massa-sovada) pelos mordomos aos presentes, em local de destaque de cada localidade. Nesse dia também há uma Função com coroação. A filarmónica local toca e pode-se ver carros de toldos com inúmeras iguarias onde as pessoas passam a tarde a petiscar na algazarra. Acontecem as arrematações e escolhem-se os próximos devotos para continuarem com a tradição. No Domingo da Santíssima Trindade dá-se o mesmo acontecimento.
A freguesia fulcral para tal tradição é a da Vila Nova, pertencente à zona do Ramo Grande, onde se encontram quinzenas de carros de toldo, mas a Vila das Lajes também adere bastante e já apresentou uma dezena de carros do bodo. Agualva e S. Brás são outras das localidades com presença forte de carros de toldo.
O concelho de Angra do Heroísmo também apresenta alguns carros de toldo, como é o caso da Vila de S. Sebastião.
Eu costumo participar nessas festividades todas e adoro. Em tempos, familiares meus, de diversas freguesias, levavam um carro de toldo e petiscos para passarem os dois bodos no adro da igreja.

SORRI, NÃO DEMONSTRES

Se a vida não te sorri
Não o digas a ninguém,
Depois é pior para ti
E para os outros também.

Quando estiveres triste
Não o demonstres,
Sorri,
Mesmo para os teus inimigos,
Dá conselhos aos teus amigos,
Não te sintas um traste,
Finge...
E não demonstres.

Não há nada a perder,
Só ficamos a ganhar
Em aos outros demonstrar
Que somos capazes
De enfrentar
Os problemas da vida,
Que muitas vezes
Nos prega uma partida.

INTERESSA É O QUE ESTÁ ESCRITO

A rubrica de alguém
São rabiscos no papel,
Para que não haja ninguém
Que a desvende.
E está cada vez pior:
Aparecem-nos à frente
Uns gatafunhos
Sem eira nem beira,
Desde a última letra
À derradeira;
Os rabiscos são riscos,
Servem como rascunho
Para a letra ser diferente.

As pessoas não sabem
Como o seu nome escrever
E rabiscam para se entreterem,
Parecem que não querem
Dar-se a conhecer
E disfarçam a letra
Para ninguém perceber.

Que façam o que bem entenderem
E que digam de mim o que quiserem,
Pois a minha letra também não é perfeita,
É rabiscada e estreita,
Mas o que interessa é o que está escrito
E não a maneira como é visto.