terça-feira, 15 de maio de 2012

MENDIGO

Porque tens frio e os outros não
Isolas-te ao sol para aquecer.
Ages como uma lagartixa a correr
Perseguida pela solidão!

Porque desejas o que não tens
Estás insatisfeito e não convens.
Porque tens falta de humor
És desprezado e ganhas dor.

Porque magoas os inocentes
Tens atos de pânico frequentes.
Porque és diferente dos demais
E esqueces-te do caminho bom,
Derivas como os animais
À escuta de um outro som.

(Aqui estou eu à procura de inspiração
Na poesia alheia e a homenagear.)

18/2/2005

Publicado no site Recanto das Letras
www.recantodasletras.com.br/homenagens/4871844

sexta-feira, 11 de maio de 2012

CRÓNICA - DÊ PAZ E AMOR

O Mundo está cada vez mais faminto de valores, de amor, de paz, porque muitas pessoas estão afastadas de Deus, da religião e têm pouca ou nenhuma fé. Cada um só pensa em si e em se exibir, ganhar mais dinheiro, enquanto existem partes do mundo em guerra, sem amor, sem mantimentos, sem vestuário adequado, sem condições para estudar e para crescer saudavelmente.
Todos precisam tirar um pouco do seu tempo para ajudar os mais necessitados. Embora a crise paire, pela atmosfera de todos os continentes, nós tempos sempre algo que não precisamos e que podemos dar: uns brinquedos ou roupas usadas, um pequeno donativo, uma palavra de conforto, um sorriso ou um telefonema, como ato de amizade, preocupação, solidariedade ou lembrança para com os mais isolados, idosos, doentes ou distantes.
Diga aos outros o quão gosta deles, pois a vida é fugaz e deve ser vivida em paz e sem ressentimentos, com amor e alegria! Se não tentarmos viver da maneira mais correta não seremos totalmente felizes. Ao darmos felicidade a alguém, conseguimos que a nossa vida seja um pouco do Paraíso.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CONTO - DEPOIS DA TRAGÉDIA VEM A ESPERANÇA

Na semana que antecede a Páscoa estava tudo muito agitado na casa da família Aragão, pois a sua filha mais velha, Esmeralda, ia casar-se com Dionísio, um toureiro afamado. Os pais de ambos estavam agitados com os preparativos. Esmeralda já comprara o vestido de noiva e estava radiante com o seu casamento. Os padrinhos já haviam sido escolhidos, os convites entregues a tempo e os convidados já tinham avisado que iam. Contava-se com mais de cento e dez pessoas. Nada podia falhar!
Porém, na quarta-feira da semana santa, à tarde, houve um grave acidente na auto-estrada. Dionísio ia com uns amigos num dos carros que ficara amolgado e os seus ferimentos não eram ligeiros. As causas do acidente eram a velocidade excessiva e a estrada molhada.
Esmeralda só tivera conhecimento do facto uma hora mais tarde. Ficou em apuros e resmungou para a mãe:
– Não acredito no que me está a acontecer! Por que é que tinha que ser logo agora?
– Minha filha, o que aconteceu?
– O Dionísio teve um acidente de automóvel com uns amigos… Sempre temi o touro e afinal, ele nunca nos prejudicou, bastou um simples acidente para estragar tudo.
– Não tires conclusões precipitadas… O casamento ainda não está estragado. Não agoires. Não sabemos se os ferimentos são muito graves.
– Quando me ligaram do hospital disseram-me que os ferimentos não eram leves, portanto, temo pelo meu casamento. Não quero pensar nisso, mas quase que sou obrigada.
– Não fiques assim. – Consolou a mãe.
No dia seguinte à tarde Esmeralda foi até ao hospital ver o seu amado. Ele estava inconsciente, mas deixaram-na entrar no quarto e dar-lhe a mão. Teve vontade de chorar ao vê-lo naquele estado. Quando saiu perguntara a um dos médicos que o assistiu quantos dias ele poderia ficar desacordado. Eles não lhe deram resposta certa:
– Depende. Ele levou uma pancada na cabeça, tem um traumatismo craniano. Não é o caso mais grave, e isso deveu-se ao atendimento da equipe hospitalar no local do acidente. Nestes casos, considerados moderados, ele pode vir a ter dificuldade em se movimentar ou em comunicar. Mas como lhe disse: depende.
– Demora mais do que uma semana?
– Não lhe sei dizer ao certo. Não fique ansiosa, minha senhora. Relaxe e pense que o pior já passou. Agora é tudo uma questão de tempo. – E, dito isso, foi-se embora.
Esmeralda veio para casa de táxi e durante todo o caminho rezou para que o seu amado melhorasse o mais rápido possível, porque queria muito casar-se.
Todos os dias Esmeralda ia visitar o seu amado na esperança que ele lhe desse um sinal de melhoras. No dia anterior ao de Páscoa, ele abriu os olhos na altura em que ela lhe tinha ido visitar e olhou-a. Esmeralda encheu-se de felicidade e já sem pensar nos seus ferimentos não se conteve e abraçou-o, de lágrimas nos olhos. Então, pegando-lhe na mão e olhando bem nos olhos de Dionísio disse:
– O nosso casamento, que estava marcado para amanhã, foi cancelado. Já avisei todos os convidados. Lamentaram e prometeram vir-te visitar. Marcaremos nova data depois de estares curado.
Então ela viu que dos seus olhos caiam lágrimas e emocionou-se:
– Não quero que chores nem que sofras mais do que já sofreste nestes últimos dias.
Ele abriu a boca para tentar dizer alguma coisa, mas não conseguia. E ela viu que o seu sangue batia mais forte nas veias e que a mão dele apertava a sua. Dionísio queria dizer-lhe qualquer coisa, mas não podia.
– Não te esforces. Tenta descansar. – E levantou-se – E não te preocupes que volto amanhã e todos mais dias que aqui estiveres. – E beijou-lhe a mão saindo de seguida.
Informou os médicos do que sucedera e um deles disse:
– Como viu, disse-lhe a verdade, o caso do seu namorado não era grave e não tinha que se preocupar. Se ele continuar a progredir não tarda a ter alta e a voltar para casa.
Quando entrou em casa, já era o final do dia, deu as boas novas à mãe dizendo:
– Estou muito contente com as melhoras do Dionísio. Apesar de não nos casarmos no dia de Páscoa eu fiquei a saber qual era o verdadeiro espírito deste acontecimento que se celebra todos os anos. Existem milagres e ressurreições, todos os dias e a todas as horas.
– Mas o Dionísio não ressuscitou, ele não estava morto.
– Quando o vi naquela cama do hospital tão enfermo não acreditei nas palavras do médico: que não era grave e que ia melhorar; pensei que ele ia morrer mais cedo ou mais tarde e que o doutor me queria poupar. Foi então que me voltei para a oração, pedindo ajuda dos Céus, talvez a transcendência pudesse actuar. Quando me dei conta do começo das melhoras dele, hoje quando o fui visitar, passei a acreditar nas palavras do médico e na ressurreição, não só dos mortos, mas também dos doentes. Porque o estado dele, inconsciente, para mim, era a morte a chegar. Porém, ele já despertou do seu sono e este ano, na Páscoa, haverá ressurreição à séria, pois eu também senti o meu coração ressuscitar, tornar-se mais optimista e com mais amor, não só às pessoas, mas a Deus Nosso Senhor.
– Minha filha! – Exclamou a mãe abraçando-a – Estou muito contente por te sentires renovada e com mais fé. Por vezes há males que vêm por bem. Deus sabe sempre o que faz, por isso, tenho a certeza, que este ano, a Páscoa será diferente para todos nós da família.
– Só tenho pena de o Dionísio ainda estar no hospital. – Lamentou Esmeralda cabisbaixa.
– Não fiques triste, minha querida! – E abraçou-a – Vamos avisar a família dele e amanhã, à tarde, iremos todos juntos visitá-lo e passar o resto do dia de Páscoa junto dele.
Ao ouvir a mãe dizer tais coisas conseguiu sorrir novamente.
No dia seguinte foram todos para o hospital. A princípio os médicos não queriam deixar entrar tanta gente no quarto do paciente, mas Esmeralda insistiu tanto que o médico acabou por consentir:
– Visto que hoje é dia de Páscoa, podem entrar; mas com uma condição: uma enfermeira vos acompanhará e ficará lá durante a vossa visita.
Todos aceitaram e lá foram na direcção ao quarto. Esmeralda foi a primeira a entrar.
Dionísio já estava sentado, encostado à barra da cama, com uma pilha de almofadas atrás de si. Ao ver a família chegar sorriu-lhes. A namorada foi para junto dele e deu-lhe a mão, sentando-se a seu lado dizendo-lhe:
– Como vês estou junto de ti, tal como te prometi. E trouxe a nossa família mais chegada para passarem esta tarde, do dia da Festa da Ressurreição, contigo. Então, Dionísio abriu os lábios e começou por dizer:
– Esme…ral…da.
– Dionísio! – Exclamou de felicidade, deixando um sorriso sair dos seus lábios – Falaste.
– Des…cul…pa.
– Desculpa de quê?
– Por ter ti...do o aci…den…te.
– Esquece. Não tiveste a culpa de nada. E aliás, o importante é estarmos juntos hoje. Não importa onde seja. Eu tenho é que te agradecer... Sei que é talvez desapropriado o que eu vou dizer, mas… – E sorriu, baixando a cabeça.
– Diz.
Então, encarou-o e disse:
– Esta desgraça serviu para nos aproximar cada vez mais e para nos unir a Deus. Tenho a certeza que as tuas rápidas melhoras tiveram muito a mão de Deus.
– Mas e o… casa…men…to?
– Fica para depois; por que eu acredito que os sentimentos, com o tempo, não se desgastam, muito pelo contrário: crescem e se fortificam cada vez mais.

quarta-feira, 21 de março de 2012

ADORO TUDO

Adoro tudo na ilha
Tudo é uma maravilha,
Os pássaros saem dos ninhos
E vêm cantar fininho.

Adoro tudo na ilha,
Adoro comer ervilha...
Todo o tipo de torneiras
E aqueles sem maneiras.

Adoro as formigas
Mesmo quando vêm para casa,
Tenho muitas amigas
E na lareira uma brasa
Acesa para cozer massa.

Adoro a comida
Mesmo no dia seguinte.
Adoro a minha vida,
Tudo é um requinte!
Adoro estar na casa dos vinte...

13 de Dezembro

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

CONTO - A CLONAGEM HUMANA

1
As experiências do casal Samtron com células humanas começaram quando o casal descobriu ser estéril. O seu amor um ao outro e à ciência fê-los permanecer juntos e realizar inúmeros estudos sobre a clonagem de embriões humanos.
Uma bela tarde, Rubídio Samtron, ao fazer uma nova experiência com embriões, conseguiu que a sua mulher engravidasse com um embrião clonado. Estavam muito felizes que decidiram comemorar com champanhe.
Enquanto isto, um ajudante, Plínio, arrancara um cabelo a uma moça loura que assistia um concerto, pois já percebera que ela não estava interessada nele e queria tê-la de qualquer jeito.
Ao chegar ao seu laboratório iniciou a experiência que aprendera com o Dr. Samtron e clonou a tal rapariga loura em poucos dias. Colocou-lhe o nome de Pancrécia.
Os meses passavam e os dois jovens cientistas, Plínio e Flánio, trabalhavam em clones de moças, com a ajuda do Dr. Samtron, e fizeram com que o metabolismo delas progredisse até ao crescimento que queriam e depois estabilizaram, mantendo-as sempre com o mesmo aspecto, ou seja, jovens, saudáveis e elegantes. Arranjaram namoradas perfeitas num instante!
Depois de alguns meses nasceu a bela bebé Daiana Samtron. A menina cresceu normalmente. Ribélula ausentou-se das experiências científicas e fora para sua casa cuidar da bebézinha.
Eles estavam muito contentes com o seu sucesso na clonagem humana. Pensavam já
em fazer novos clones e em ter muitos filhos, de ambos os sexos. Além disso, pretendiam ajudar outros casais na mesma situação de infertilidade.
Um dia Rubídio lisonjeou-se perante Ribélula e seus pupilos, Plínio e Flánio:
– Finalmente ficarei mundialmente conhecido como o pai da clonagem humana para estéreis. – E sorriu, gabando-se de forma emproada – Serei o cientista mais famoso da região. Vou apresentar-me no Museu da Ciência Avançada amanhã.
Os Samtron em pouco tempo tiveram outra filha, mas desta vez ficou com o metabolismo acelerado, embora fosse menos do que o das outras moças, seis meses equivaliam, aproximadamente, a um ano para ela. Colocaram-lhe o nome de Pamela.

2
Depois de alguns meses, Ribélula voltou a ajudar o marido e os meninos. Agora clonavam um abortado e faziam mais clones através de embriões.
– Graças à nossa experiência pudemos baixar a lista de espera dos centros de adopção e ganhar mais um prémio.
– Não digas isso, – Murmurou a esposa – para os meninos não pensarem que somos interesseiros. – Acrescentando depois – Temos amor ao nosso trabalho, queremos muito ajudar os outros. – Então chamou Flánio e ordenou-lhe – Vai colocar essas bebezinhas na adopção. Existem muitos casais em lista de espera. A maioria prefere
bebés.
Flánio obedeceu à sua patroa.
Um certo dia houve um casal que se voluntariou para permitir uma experiência laboratorial e com um embrião clonado o óvulo da mulher foi fecundado engravidando do seu marido.
Quando a criança nasceu em perfeitas condições, sem metabolismo acelerado, a notícia saiu nos jornais e sucederam-se inúmeras entrevistas, palestras sobre o assunto e mais casais inférteis se voluntariaram a engravidar através desse processo inovador. A lista de casais sem filhos baixou drasticamente em poucos
meses e mais felicidade se viu em muitos rostos.

2011

http://www.varaldobrasil.ch/media/DIR_158701/e915160b5a507729ffff871f7f000101.pdf

sábado, 7 de janeiro de 2012

Ao Sr. Euclides Álvares da Califórnia

O Sr. Euclides Álvares
Merece uma homenagem
Porque é um homem da rádio.

Sua voz ecoa pelos ares
E o seu espírito jovem
Dá a todos mais força e brio.

4 de Dezembro

domingo, 1 de janeiro de 2012

NOITE BELA FORMOSA

Noite Bela e Formosa
É esta noite de Reis!
Desfilamos na rua airosa
Louvando este dia seis.
Cantamos bonitas canções
Neste dia tão aclamado,
Ouvem-nos multidões
O serão está animado
Com Jesus nos nossos corações.

Nesta noite de Janeiro
Brilham lindas estrelas,
O luar será o primeiro
A querer recebê-las.
A animação enche a rua
Com desfile gigantesco,
Do céu sorri-nos a lua,
O tempo está mais fresco
E este belo som flutua.

Dezembro de 2009

Cantado desde a Igreja Matriz de Santa Cruz até à Praça Francisco Ornelas da Câmara.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

NATAL E ANO NOVO

Está a chegar o Natal
E o Menino está aqui,
Não há nada de mal
Para mim e para ti.

A Paz vai reinar,
O Amor e a Saúde também;
Quando o novo ano despertar
Todos estaremos bem.

Se a chuva cair
Será pouca e amena,
Conseguiremos resistir
À mudança de cena.

E não haverá tempestades
Nem brigas ou maldades,
Só Compreensão com cada par,
Só União em cada lar.

13 de Dezembro