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quinta-feira, 28 de junho de 2012

CONTO - UM BILHETE ANÓNIMO

Quando o final do ano lectivo aconteceu, Magda, que até agora tinha ocultado os seus sentimentos pelo professor de educação física, Guilherme, por temer a rejeição e parecer ousada,finalmente teve coragem para se declarar escrevendo um bilhete. Descobriu qual o seu cacifo e colocou um bilhete. Guilherme ficou surpreso com tal papelinho, assim como com o seu conteúdo:

Há muito que lhe quero dizer que é bonito.
Conheço-o à algum tempo e você a mim.

Se quer saber quem eu sou vá até ao cais às 20h30min.

M.


Quando terminou de ler sorriu. Arrumou o bilhete e tirou tudo o que tinha no cacifo arrumando na mochila. Saiu da sala em direcção a casa. Foi a pé, morava relativamente perto.
Enquanto caminhava pensava:
«-Quem será? Porquê tão tarde o encontro? Deveria ser já, estou ansioso para saber quem é. Se não gostar disfarço, dou meia volta e vou para o bar da praia.»
Ao chegar a casa tomou um banho e vestiu t-shirt e calças de treinar. Nem o pai nem a mãe desconfiavam que ele teria um encontro. Jantou e fez-lhes companhia durante algum tempo enquanto a tv transmitia o noticiário. Ao passar cinco minutos das vinte horas, levantou-se e disse-lhes que ia encontrar-se com amigos.
Quando chegou ao cais avistou algumas pessoas ao redor, a maioria acompanhadas. Mas havia uma mulher mais afastada e voltada para o mar, era elegante e de cabelo ondulado escuro. Só poderia ser aquela a M! Até suspeitou que pudesse ser a sua ex-aluna, porém, não queria estar muito empolgado, pois era cedo e a tal mulher poderia ainda não ter chegado ou nem aparecer. Aproximou-se lentamente e disse sorridente:
--Está um bonito fim de tarde! - Porém, ao aperceber-se de quem se tratava acrescentou – Magda!?
--Sim. Estou à espera do homem que sempre esteve apaixonado por mim e só agora admitiu.
-Estou sem palavras... Algumas vezes suspeitei do teu interesse, mas conclui ser loucura minha.
--Também apercebi-me muitas vezes que me olhava com ar de macho... Farei dezoito anos
amanhã.
--Não te importas mesmo que namoremos? Eu fui teu professor até hoje.
--Poderemos mentir, ninguém precisa saber que eras meu professor, Guilherme.
Ele enlaçou-a e beijou-a confessando:
--Só o nosso amor interessa.

2011

Varal do Brasil - Edição de Julho/Agosto de 2012

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