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terça-feira, 4 de maio de 2010

Conto - A VIDA DE LAURA

Laura era uma mocinha de olhos azuis, cabelo claro, muito orgulhosa e trabalhadora. Gostava de tudo, mas como era pobre, não podia ter muito.
Vivia com seus pais: Joaquim e Maria e cinco irmãos. Trabalhavam na terra, a ceifar, a lavrar, etc..., e ainda tinham que cuidar das cinco vaquinhas que tinham. Laura ficou a cuidar do pai e das cinco vaquinhas até que tiveram que vender as vacas e Laura empregou-se numa fábrica de tabaco.
O tempo foi passando e Laura já tinha vinte e oito anos e nunca tinha namorado ninguém e isso preocupava o seu pai velhinho e doente. Ele tinha um amigo viúvo, com sessenta anos, chamado José Narciso, era um homem rico já tinha ido à América, tinha dinheiro e algumas propriedades. Joaquim achava que ele era um bom homem para a filha. Falou nisso a José Narciso e é claro, ele concordou logo, ficando contentíssimo por ter uma esposa tão nova. Mas Laura não gostou nada da ideia de seu pai, mas para não o contrariar, já que ele estava doente e muito velhinho, aceitou.
Daí alguns meses, Laura casou com José Narciso deixando o seu pai na casa de Francisca, irmã de Laura. Um mês depois, ele morreu.
Laura viveu o seu casamento muito angustiada, não gostava do seu marido e ele brigava muito com ela.
Nove meses depois, nasceu um filho chamado Joãozinho. Quando ele tinha 4 anos seu pai morreu, Laura ficou a cuidar do filho. Foi morar com sua irmã Francisca. E perto da casa dela, vivia um viúvo, Chico Valadão, que não tinha filhos. Mas estragava o dinheiro todo que lhe aparecia. Apaixonou-se por Laura e casaram.
laura tinha algum dinheiro e algumas terras que o falecido marido deixara para o filho Joãozinho.
Mas Chico começou logo a fazer negócios mal feitos e Laura teve que vender as propriedades do filho e dar dinheiro para pagar as dívidas de Chico. Ela teve que ir trabalhar com dois filhos pequenos. O Joãozinho começou também a trabalhar muito cedo, pois o Padrasto era mau para ele e nem o deixava ir à escola, para que trabalhasse na Lavoura que eles tinham. Enquanto o filho de Chico não fazia nada, só brincava e ia para a escola.
Joãozinho era o escravo analfabeto, trabalhava em casa de um lavrador rico e à tarde era na Lavoura de seu Padrasto. Levantava-se cedo, ia tirar o leite das vacas, enquanto o Chico ficava na cama. Depois de vender o leite é que ia para o seu trablho mudar o gado e cultivar a terra do rico Agricultor.
Laura sofria com tudo isto, mas não podia fazer nada. Joãozinho apanhava muita chuva, secava a roupa no corpo. Quando já chegou a jovem, dezanove ou vinte anos, adoeceu, mas tratou-se e ficou bom.
Aos vinte e quatro anos, casou, mas seu Padrasto não lhe queria dar dinheiro e o Joãozinho arranjou um emprego na fábrica de tabaco e então, aí, guardou algum dinheiro que ia dando para viver com a esposa.
Chico Valadão vivia com dois filhos e a esposa. Mas o filho António foi para o Ultramar, servir a tropa durante quatro anos. Enquanto António esteve fora, o seu pai morreu e Laura ficou sozinha com a filha Margarida.
Trabalharam muito para ganahr dinheiro e preparar o Casamento dos dois filhos.
Ao fim de algum tempo, António chegou do Ultramar e dois meses depois casou. Não ajudou em nada nos preparativos do Casamento. António, depois de casado, é que arranjou emprego e viveu feliz com sua esposa.
Quando Margarida se casou Laura ficou a morar sozinha, fazendo o serviço dde sua casa e cozendo pão para vender. Recebia a sua reforma e ia ajudando a filha que era a mais pobre.
Laura foi vivendo assim em sua casa e em casa de Margarida e teve oito netos e três bisnetas.

Conto - UNHAS DEMASIADO GRANDES

Enquanto ela escrevia sentiu a unha do polegar roçar no papel. Não ligou muita importância, pois costumava ser natural. No entanto, a jornalista, de 27 anos, magra e ruiva, deu-se conta que as outras unhas também cresciam. E quanto mais depressa escrevia mais as unhas se ampliavam. Ficou sem conseguir segurar a caneta e deixou-a cair para espanto dos colegas de redacção. Ela corou, mas não tentou apanhar a caneta; ao invés disso escondeu a mão direita na algibeira do casaco. Levantou-se da cadeira e dirigiu-se à sala do chefe. Porém, ele estava ocupado e não a pôde receber. Nesse momento notou que as unhas da mão esquerda também estavam a crescer. Fechou a mão com força, espetando as unhas na palma da mão começando a sangrar. Desesperada saiu da redacção sem dar satisfações a ninguém. Então notou que não conseguia tirar a mão direita da algibeira, as unhas já tinham crescido tanto que furaram o casaco e ameaçavam mostrar-se daí a pouco.
Ao chegar ao carro não conseguiu abrir a porta, não podia fazer uso da mão direita e a esquerda estava a sangrar e com as unhas também a crescer. Pontapeou a porta do carro e murmurou algo incompreensível.
As unhas da mão direita já se aproximavam do joelho dela e as pessoas do parque de estacionamento começaram a fugir com medo de serem atacadas.
A jornalista começou a chorar. As unhas da mão esquerda estavam a aproximar-se, em tamanho, das da outra mão e ela já não sabia o que fazer. Gritou por socorro. Contudo, ninguém ousava cercar-se dela. As unhas estavam tão grandes que ela já parecia um monstro. Agora era impossível vir a casar!
Finalmente as unhas alcançaram o chão. Nesse instante ela pensou que talvez o crescimento cessasse, mas não foi isso que aconteceu: as da mão direita furaram o chão e as da esquerda cresciam mais.
Ela não se deu conta que as unhas da mão direita ficavam presas no chão e não se partiam, não ousou em baixar o braço esquerdo.
Nessa altura a polícia já estava presente, assim como os bombeiros e a ambulância. Também chamaram um lavrador para trazer uma enchada e cavar as unhas que estavam enterradas no cimento do parque de estacionamento, pois elas eram muito resistentes e não era qualquer coisa que as derrubava.
As unhas não cederam à enchada e a jornalista começou a levantar os pés do chão. Para se apoiar melhor baixou o braço esquerdo e toda a cidade estremeceu. Houve gritaria e muita gente a correr dum lado para o outro. Ninguém sabia o que fazer para que as unhas da mulher voltassem ao normal.
De súbito, um homem cego disso para um polícia:
- Se o cenário é assim tão feio, mais vale pedir a ela que lhe coloque as unhas nos olhos.
Por entre a multidão apareceu uma mulher que retirou da mala um frasquinho de verniz e gritou para a jornalista:
- Não se mova que eu vou pintar um pouco desta unha. - A mulher assim fez e a unha começou a diminuir e os estragos que havia feito desapareceram.
Todos ao redor ficaram estupefactos!
Um perguntou:
- Esta mulher quem será?
Outro supôs:
- Alguma mulher divina que andava na Terra e ninguém sabia.
Depois tudo voltou à normalidade e a jornalista acabou por encontrar namorado e se casar, tendo tido mais sucesso na carreira.

Despejar Recordações

Não quero nem posso ficar assim
Com este peso em cima de mim.
Necessito de paz e descanso.

Às vezes, tudo o que tenho
Possuo-o na imagem.
Nunca sei o que pretendo,
Ando sem rumo a brincar com o ar
E com a vida sem dar passos concretos,
Desatino nas noites em claro
Vejo o fogo das neblinas incendiar
As colinas dos meus horizontes,
Toda a magia conseguida foi vivida
Como em loucura branda
Já nem sei nada de nada.

Procuro as forças na música que escuto
Para despertar o sono que tenho
E descarregar o que me faz mal.

O mar agora está mais calmo,
Há ondas leves e fofas a banhar
Os sentimentos da dor que sinto,
Os vagares mal se vêem,
Tudo está melhor, muito melhor.

A paz anda à volta da minha cabeça,
Meu cérebro está vazio e precisa de coisas,
Ou melhor, precisa se renovar.
A reciclagem está cheia.
Tenho que escrever e despejar
Aquilo que está a mais:
As preocupações e o passado;
Estas coisas têm de sair da minha mente
E de ficarem escritas para que não se esqueçam.
Preciso dormir e me renovar,
Tenho que renascer para a vida.
Há novas etapas por cumprir.
Há que mexer os pés e todo o corpo.
Agir e não esperar que tudo venha até aqui.

Conto - O EMPRESÁRIO E A MANSÃO

Um empresário de sucesso estava sentado na poltrona que havia no seu escritório e depois de se servir dum whisky começou a resmungar consigo mesmo:
- Parece que mais uma vez estou como a minha mansão... Tenho a melhor vestimenta de todos os tempos, o mais bem apresentado aspecto, posso ter o privilégio de me dar aos luxos, sou convidado para as melhores festas e eventos, tal como tu, minha casa... - e sorriu - és sempre apreciada por gente importante quando eu dou festas e ficas cheia de glamour. - Levantou-se da poltrona e abriu a porta, passando para outro quarto, continuando a falar - Tal como tu, tenho à minha disposição muitos empregados e quartos bastante amplos, arejados e limpos. - Nisto olhou à volta da sala cheia de mobílias caras, quadros de pintores famosos nas paredes, lustres muito ornamentados, sofás dum cabedal raro, vasos de flores artificiais que pareciam verídicas; deu meia volta e subiu a enorme escadaria de mármore que dava acesso até aos quartos. Abriu a porta de um dos quartos de hóspedes e havia lá uma empregada a abrir as janelas e a porta de vidro que dava passagem até a uma pequena varanda.
A moça assim que o viu saiu logo, para que não perturbasse o patrão. O empresário dirigiu-se até à varanda observando a bela paisagem que havia lá em baixo. - Ambos temos uns jardins radiosos onde cintilam as estrelas e o sol, assim como onde pousam alguns pássaros e pequenas gostas de chuva.
- Nós somos grandes em tudo! O que nos rodeia mostra-nos bem quem somos... Pertencemos à alta sociedade e temos que nos orgulhar disso. - Voltou a sorrir. Porém, seu sorriso desfaleceu ao olhar para o céu e deparando-se com nuvens carregadas. - Parece que o tempo está a mudar. - Proferiu voltando para dentro, fechando a porta, com uma tristeza no olhar - Os dias em que o céu se fecha não me agradam. Não sei o que achas, minha mansão, mas talvez também sejas da minha opinião.
A empregada entrou para fechar as janelas. Pediu licença e foi fazer o seu trabalho; saindo logo depois sem dizer mais nada.
- Será que compensa ser o patrão se os empregados parecem nos temer? Será que não percebem que eu sou um humano também? Às vezes o respeito não é muito benéfico, faz-nos frios... Sentes-te assim? - Perguntou retoricamente ao sair do quarto e pisar no largo e comprido corredor. - Talvez te sintas assim nos dias de Inverno em que o sol não te aquece as faces.
Andou até ao fundo do corredor e penetrou no seu quarto espaçoso e bem arrumado.
Apoiou-se à cómoda e olhou para a sua imagem reflectida no espelho e sentiu-se triste dizendo:
- Sempre fui tu e tu eu, apenas uma imagem da alta sociedade com boa aparência. - E arrancou o espelho da parede atirando-o ao chão, acrescentando - Tal como tu, por dentro, não há nada, a não ser o vazio de um vidro partido.
Então os empregados acudiram ao estrondo e o empresário sentou-se numa cadeira a olhar para o chão com um olhar indecifrável.


MORAL:
- Podemos ter todos os bens materiais, mas se tivermos a falta de amor não temos nada.