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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

sábado, 17 de agosto de 2013

CRÓNICA - O Delírio da Falta de Emprego

Nos dias correntes o mercado de oferta de trabalho tem estado escasso, há cada vez mais pessoas desempregadas e muitos jovens a terminar os seus cursos e a não conseguirem se integrar no mercado de trabalho. Nem sempre os locais de estágios garantem emprego para sempre e depois envolvem-se em trabalhos que não gostam o suficiente e em que ganham pouco, decidindo viajar para outros meios para atingir os patamares que sonhavam, afastando-se das suas famílias e por vezes não encontrando o objectivo e a felicidade necessária.
Muita juventude é obrigada a ajudar os pais nos trabalhos domésticos, agrícolas, vaqueiros ou comerciais e nem estudam na universidade e depois têm mais dificuldade em ingressar num emprego que gostem e em que tenham tirado um curso secundário ou profissional.
Os part-times aparecem como válvula de escape para que entre algum dinheiro extra, as inscrições em atls, censos, inquéritos, babysitter ou vendas por catálogo são muito frequentes para alguns iniciantes.
Cada pessoa habituou-se a um nível de vida e quando o mesmo baixa há chinfrineira, há leilões, há vendas de rua, promoções e roubos. Cada um necessita de ser valorizado por aquilo que de bom tem ou faz ou gera-se um colapso. A ansiedade e o stress está ao rubro! A ilha parece pequena, mas ultimamente tem de tudo.
Os postos de trabalho do Aeroporto, da Câmara Municipal e da Base Aérea estão cada vez mais lotados e a precisarem de padrinhos. Nos hipermercados e supermercados acontece o mesmo. Nas escolas parecem haver professores demais, mas existem alguns desempregados e a terem de emigrar como antigamente. O mesmo acontece com enfermeiros e médicos. Padres também são necessários, embora não se comparem aos outros sectores. Os idosos e reformados reclamam, não só de baixas nas pensões, mas nas tensões e tendões.
É triste a situação financeira e de saúde de algumas pessoas, o querer trabalhar e não poder, o sentir que o tempo e o dinheiro se vai com o passar das 24 horas. Alternadamente existe velhotes que valorizam mais o emprego ou o trabalho do que os jovens na flor da idade e com a força da juventude. Tal acontecimento gera um conflito de gerações e de cérebros. Afinal quem é que tem a força?
A política é posta em estado crítico, baixando o teor da sua importância e fidelidade amiúde. As finanças, a gasolina e os alimentos sobem montes e vales muita vez em um mês, se não fossem as festas tradicionais que cada povo organiza na sua região, principalmente na Ilha Terceira, para se descontraírem dos problemas diários, a devastação já tinha acontecido como no século XVIII na freguesia dos Biscoitos após vários terramotos e expulsões, contudo seria um pouco diferente, talvez a terra não precisasse se remover, as pessoas saltariam dela para um barco e rumariam para outra ilha procurando melhores condições.

Edição do Jornal da Praia de 2 de Agosto de 2013

sexta-feira, 24 de maio de 2013

CRÓNICA - EU E AS TOURADAS À CORDA

Dia 1 de Maio foi o dia do regresso das típicas touradas à corda. No Dia do Trabalhador também houve a exposição dos tradicionais bonecos de pano, embora menos que em épocas passadas. Os Maios representam sempre cenas do quotidiano terceirense e por vezes entram na tourada, ajudando o capinha a atiçar o touro.
Apesar do tempo estar agradável ainda não fui a nenhuma tourada este ano de 2013. Mas sou uma grande aficionada de touradas e vacadas. Em anos passados já assisti a mais de 40 corridas por ano, nos dois concelhos, como foi o caso dos anos 2006 e 2007. Começava em Maio e só terminava em Outubro, muitas vezes no dia 15. Nos últimos anos tenho baixado a minha presença nestas festas devido à falta de tempo e de companhia, mas tento ir às melhores.
O ano passado, por exemplo, fui à festa do Emigrante e à tourada na Vila de São Sebastião, fazendo parte da excursão, também passei o dia no Porto dos Biscoitos e lá tirei esta foto.
À anos atrás quase acampei na mata da Serreta na segunda-feira, estive lá de manhã até à noite. Também já assisti aos touros no Areal da Praia. Das touradas e vacadas da minha Vila das Lajes não costumo perder quase nenhuma, só se chover muito.
Aqueles aficionados que têm tempo de sobra vão até ao mato pelas 10 horas da manhã diversas vezes por ano, dependendo do ganadeiro. Eu normalmente vou pouco, pois falta-me transporte e disponibilidade. Quando vejo o touro muitas vezes já são cerca das 18 horas e já está no arraial.
São tão ledas as tardes de fim de primavera, verão e início de outono! Desde criança que adoro estas festas de rua, este burburinho do povo e dos pregões, que dão outro sabor à tourada. Há constantemente folia e a tasca enche-se de muitas iguarias.
Uma tourada ou bezerrada é sempre uma tarde bem passada onde se vê gente conhecida, se conversa, se namora, se petisca, se descansa, se respira ar puro e se inspira para poetizar. Estou muito grata por ter nascido nesse pedaço do arquipélago açoriano!
Adoro todos os ganadeiros, e agora aparecem cada vez mais, cada um tem touros especiais, mesmo que não façam muita algazarra, é muito bom ver os animais a correr de um lado para o outro no caminho, eles gostam de ver gente e de estar num lugar diferente. O touro faz sempre alguma coisa, mesmo que não olhe para o palanque em que eu estou. Embora, por perto, haja gritos e caidelas nos palanques nunca me aconteceu nada. Aprecio muito o trabalho dos capinhas, são uns artistas, uns profissionais na arte de capear e brincar com o touro.
Estes cinco meses e meio de touradas à corda prometem muita animação. Não há terra como a Ilha Terceira, pois é nessa ocasião que os turistas aparecem mais e é raríssimo que não pisem tal festa.

domingo, 17 de março de 2013

DEVAGAR SE VAI AO LONGE

Quando eu era estudante
Conquistava um qualquer,
Mas só um rapaz queria ter
O de olhar mais brilhante.

Num dia enchi-me de coragem
E declarei o meu segredo,
Mas ele foi-se embora com a aragem,
Deixou-me no meio do arvoredo.

Há tempos atrás ele queria namorar,
Mas eu dizia: É muito cedo!
Um dia ele quis me beijocar
E eu disse: Eu tenho medo!

Anos mais tarde encontrei-te,
Estavas tão diferente
Que adorei-te,
Me apaixonei novamente!

Sempre que te vejo
Quero falar contigo,
Não controlo meu desejo,
Quando estás comigo.

Há tempos atrás eu queria namorar,
Mas ele disse: É muito cedo!
Hoje em dia eu quero-o beijar
E ele diz: Não tenho medo.

AMORES DISTANTES

A distância por vezes é inimiga
E mata o amor entre os dois.
O coração fica uma formiga,
Mas o amor cresce depois.

É difícil segurar uma paixão, um amor,
Para que haja uma relação duradoura.
O diálogo não pode falhar, dá dor,
A confiança e o respeito, não têm hora.

O nosso amor nunca terminará
Porque está esquecido,
Criou raízes e só avançará
Nas directrizes do que é pedido.