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sábado, 17 de agosto de 2013

CRÓNICA - O Delírio da Falta de Emprego

Nos dias correntes o mercado de oferta de trabalho tem estado escasso, há cada vez mais pessoas desempregadas e muitos jovens a terminar os seus cursos e a não conseguirem se integrar no mercado de trabalho. Nem sempre os locais de estágios garantem emprego para sempre e depois envolvem-se em trabalhos que não gostam o suficiente e em que ganham pouco, decidindo viajar para outros meios para atingir os patamares que sonhavam, afastando-se das suas famílias e por vezes não encontrando o objectivo e a felicidade necessária.
Muita juventude é obrigada a ajudar os pais nos trabalhos domésticos, agrícolas, vaqueiros ou comerciais e nem estudam na universidade e depois têm mais dificuldade em ingressar num emprego que gostem e em que tenham tirado um curso secundário ou profissional.
Os part-times aparecem como válvula de escape para que entre algum dinheiro extra, as inscrições em atls, censos, inquéritos, babysitter ou vendas por catálogo são muito frequentes para alguns iniciantes.
Cada pessoa habituou-se a um nível de vida e quando o mesmo baixa há chinfrineira, há leilões, há vendas de rua, promoções e roubos. Cada um necessita de ser valorizado por aquilo que de bom tem ou faz ou gera-se um colapso. A ansiedade e o stress está ao rubro! A ilha parece pequena, mas ultimamente tem de tudo.
Os postos de trabalho do Aeroporto, da Câmara Municipal e da Base Aérea estão cada vez mais lotados e a precisarem de padrinhos. Nos hipermercados e supermercados acontece o mesmo. Nas escolas parecem haver professores demais, mas existem alguns desempregados e a terem de emigrar como antigamente. O mesmo acontece com enfermeiros e médicos. Padres também são necessários, embora não se comparem aos outros sectores. Os idosos e reformados reclamam, não só de baixas nas pensões, mas nas tensões e tendões.
É triste a situação financeira e de saúde de algumas pessoas, o querer trabalhar e não poder, o sentir que o tempo e o dinheiro se vai com o passar das 24 horas. Alternadamente existe velhotes que valorizam mais o emprego ou o trabalho do que os jovens na flor da idade e com a força da juventude. Tal acontecimento gera um conflito de gerações e de cérebros. Afinal quem é que tem a força?
A política é posta em estado crítico, baixando o teor da sua importância e fidelidade amiúde. As finanças, a gasolina e os alimentos sobem montes e vales muita vez em um mês, se não fossem as festas tradicionais que cada povo organiza na sua região, principalmente na Ilha Terceira, para se descontraírem dos problemas diários, a devastação já tinha acontecido como no século XVIII na freguesia dos Biscoitos após vários terramotos e expulsões, contudo seria um pouco diferente, talvez a terra não precisasse se remover, as pessoas saltariam dela para um barco e rumariam para outra ilha procurando melhores condições.

Edição do Jornal da Praia de 2 de Agosto de 2013

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