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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

CONTO - A FAMÍLIA DE ÂNCIO

Desde jovem que Âncio gostava muito de ajudar os outros, principalmente a sua família.
Seus pais adoeciam frequentemente e ele sentia-se descontente por não os poder auxiliar mais, então decidiu seguir o ramo da Medicina. Empenhou-se muito nos estudos e foi para a universidade por terem posses. O rapaz, filho único, estudou e, apesar de ter sofrido, se formou em Médico de Clínica Geral.
O pai e a mãe ficaram orgulhosos com o sucesso do filho ao conseguir um diploma com média final de dezoito valores. Não tardou que Âncio lhes pagasse uma boa parte do dinheiro. Tratou-lhes sempre com muito carinho, cuidando mais de perto das suas necessidades médicas, estando eternamente grato pela bondade de ambos.
Ajudou instituições de caridade e deu consultas de graça para diversas pessoas. Foi no consultório que conheceu a mulher com quem se casou. Era uma viúva jovem com uma criança de três anos. Estava bastante abatida com a sua solidão, as febres frequentes da filha e o salário baixo.
Âncio curou-lhe a filha e Aita sentiu-se tão feliz com a saúde de Ina que foi ao consultório do médico e ofereceu-lhe uma garrafa de vinho dizendo:
-Não lhe posso dar muito, mas estou-lhe tão agradecida que vejo-me na obrigação de lhe dar alguma coisa.
Ele agradeceu e convidou-a para jantar. Ela acabou por aceitar, deixando a filha aos cuidados da mãe, com quem morava.
Posteriormente, mais encontros surgiram. Aita abandonou o emprego de empregada doméstica, passando a trabalhar no hospital onde Âncio passava muitas horas.
Após dois anos houve casamento. Tempos depois nasceu um rapazinho, ao qual puseram o nome de Cúdio.
Por vezes Aita, Ina e Cúdio, sentiam a falta do chefe de família, pois não lhe era possível estar presente em todas as ocasiões. Haviam dias em que as crianças também sentiam a falta da mãe, passando bastante tempo com os avós.
Os anos passaram e os pais de Âncio partiram deste mundo. A casa deles passou a servir a comunidade, tratando e abrigando desalojados, na parte de baixo e criando uma instituição para ajudar em diversos assuntos, na parte de cima.
Tanto o filho como a filha, puderam estudar e tirar um curso, seguindo as pegadas do pai, na área da saúde e da assistência social, respectivamente.
Graças a Deus não lhes faltava nada e poderiam auxiliar outras pessoas sem passarem dificuldades. Eram uma família adorada por todos, por isso sentiam-se realizados.
Âncio, apesar de ter pouco tempo para se divertir e viajar com a família, não queria preocupar-se com isso, pois se não fosse esse trabalho intensivo para a Medicina, não poderiam ter o privilégio de certas regalias: não teriam a luxuosa casa que lhes dava aconchego, nem manteriam o edifício de caridade.

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