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sexta-feira, 30 de abril de 2010

DESAPARECEU

1.
Nunca pensei que a vida
Fosse capaz de fugir.
Sinto-me perdida
Sem um sinal de ti.

Lutei e procurei
Por entre a multidão
Os teus vestígios
De desespero no olhar,
A tua brisa neblina
Arrancada nas origens
Matinais impostas
Pelo resumo do dia.

Quero te ver na cidade,
No campo ou na aldeia,
Contar-te a verdade
Do amor que tenho na ideia.

Só que tu não apareces,
Ainda não vieste para aqui,
Estás na distância
Das 24 horas angustiadas…

Não quero me queixar,
Mas tenho que desabafar
Os meus infortúnios
Aos meus amigos únicos:

- Papel, estou triste,
Eu, para ele, não existo,
O amor que sinto,
Aos olhos dele é esquisito.

Nada posso esperar
De quem foge a sete pés
De quem o quer amar
E desaparece sem rasto.

Não posso continuar
Assim, neste estado,
Terei que procurar
Alguém mais acertado...

Ele desapareceu do mapa
Como o continente da Atlântida
E deixou-me na esperança
De sarar uma ferida.

Não sei se conseguirei
Encontrar outra pessoa,
Está tudo escolhido.

Não me digas que não procurei
Porque é à toa,
Já perdi muito tempo com isso.

Não vou procurar
Amado,
Mas esperar
Que ele dê por mim.
Não quero mais sofrer
Amores impossíveis
E não correspondidos.

Se a vida é assim
- A viver na esperança –
Quero ter essa herança
E esperar a virtude
De dar de caras
Com o homem
Da minha vida…

Decidi não procurar o amor:
Se ele quiser que me encontre...

2.
Continuo na esperança
A esperar na aventura
Dum lugar, um desejo
De sentir a loucura
Da vida salgada.

Sua majestade floresceu
Os desígnios de Deus.
A miragem renasceu
Da água brilhante e suja.
Tudo é mais que tudo
Na imensidade da luta
Embriagada do amor
Cheio de encanto e dor.

O coração aperta
Sem jeito.
Uma ferida aberta
Fere-me o peito.

Já esqueci quem sou
E o que faço aqui.
O homem que amo
Foi-se embora,
Desapareceu do mapa
E não sobrou nada.

Já não sei quem sou,
Perdi a noção de tudo,
Não há aves a voar
Nem perguntas para fazer,
O rio corre a bom correr
E há um arrepio
De frio que me faz
Estremecer na paz
Da ternura branca
Da mansidão da saudade.

As borboletas estão belas
A voar pelo ar fora
Em busca da recusa
Das flores, e do sol,
Para as amar mais
E nelas ter gosto de pousar.
As ervas saem
Dos jardins e das terras,
Vêm furar as pedras.

Entro no meu barco
E apanho um avião
Que foge para longe
Sem esperar ter
Uma vontade realizada.

Verão de 2006

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